segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Relações Abdominais

No último programa "Governo Sombra" o Ricardo Araújo Pereira fez uma excelente analogia abdominal, quando referiu que, enquanto alguns enchem o bandulho muitos precisam apertar o cinto.

Efetivamente, numa situação normal, num país normal, com políticos sérios e uma justiça que funciona dentro de limites de tempo minimamente razoáveis, o que cada um faz nos seus dias de férias e com o seu dinheiro é do total foro privado, e ninguém tem nada que ver com isso!


Mas há situações que, em função de tudo o que se anda a passar em Portugal, tornam-se verdadeiras caricaturas da situação a que chegamos, da qualidade da gente que nos governa e, de certo modo, de nós próprios, que continuamos a eleger gente desse calibre.

Enquanto que a imensa maioria dos portugueses passou a entrada de 2013 em casa ou, quando muito, numa das festas populares e gratuitas, os senhores Miguel Relvas e Dias Loureiro foram passar o reveillon no Rio de Janeiro. Bem... estavam de férias, foram, acredito com certeza, pelos seus próprios meios. Não foram para um hotel qualquer, foram para o Copacabana Pálace, um hotel que recebe reis e rainhas, artistas como Madona ou os Roling Stones, enfim, aquele tipo de gente que consegue gastar num só dia o que nós não supomos gastar uma vida inteira.

Nessa época de passagem de ano, uma diária não sai por menos de 1.000€, sem contar com extras e as refeições!

Mas o que nós temos com o facto desses senhores irem passar o reveillon onde entenderem, pagando do seu próprio bolso? Em teoria nada! Mesmo nada! A não ser que um desses senhores fosse um dos rostos da austeridade, das medidas que empobrecem o povo cada vez mais, levando a população para uma situação de miséria que faz lembrar os tempos do antigamente. O outro senhor foi o que esteve a frente da SNL, aquela empresa ligada ao BPN e que provocou um buraco de mais de 7 mil milhões de euros, que estamos nós a pagar!!

Pois é... o Ricardo Araújo Pereira tem muita razão nas suas analogias abdominais... e se ninguém fizer nada ainda vamos ter que mandar fazer mais uns furos no cinto para que essa gente continue a sua sanha abarcadora, a empanturrarem-se à nossa custa.
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